Páginas

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Como Seria o Mundo Sem os Homens

Segunda-feira. 6h30 da manhã. O despertador toca e tudo o que eu quero é ficar mais um pouco ali, dormindo de conchinha com o meu... travesseiro. Existe companhia melhor? Ele se ajusta ao meu corpo. Não reclama do pé gelado. Não ronca (importantíssimo). E nem deita exalando cheiro de cerveja depois da happy hour. O alarme de novo. Tenho uma reunião às 8. Pulo da cama para não precisar aguentar o olhar de reprovação do meu chefe. Entro no cômodo mais impecável da casa desde que o Fernando se foi: o banheiro. Tampa da privada abaixada e sem gotinhas indesejadas, nenhum apêndice filamentoso (vulgo pelo) no sabonete. Quer saber? Estou adorando essa vida sem um homem para chamar de meu. E, por falar em seres dotados de testosterona em excesso, lembro de novo do meu chefe. Ele pensa que é deus – ou tem certeza de que é. Mas, na verdade, parece um baita inseguro (ou incompetente?).

No carro, ligo o rádio. Não toca U2, Beatles ou Skank. Estranho, não ouço voz masculina. Deve ser o horário. Não me incomodo. Estou muito bem servida com Norah Jones, Diana Ross, Carla Bruni, Ivete Sangalo. Estaciono ao lado da empresa. Vou enfrentar a primeira leva de machos-alfa da semana. Antes de passar em frente a um empreendimento em construção, controlo o rebolado, fecho o decote para poupar meus ouvidos de comentários que começam com “delícia” e seguem ladeira abaixo. Nem um assoviozinho sequer. Estou no meu dia de sorte ou será um aviso de que devo arrumar um horário para a academia? Estufo o peito e abro a porta da sala de reuniões pronta para encarar o inimigo. Nem sinal do sr. Troglodita. Definitivamente estou no meu dia de sorte. Tenho uma nova chefe. Ela mede meu corpo de cima a baixo e dispara: “Seu esmalte é o Particulière da Chanel?” Conto que fiz uma misturinha de duas marcas nacionais para conseguir a mesma cor. Ela anota os nomes para comprar também. A reunião dura duas horas (quase o dobro do habitual). Saio com a cabeça fervilhando de ideias e a receita de uma musse de chocolate in-crí-vel, testada pela assistente de marketing.

Abro o Facebook e todos os meus amigos (digo, amigos homens) desapareceram. Será que os excluí por engano? Parece coisa de maluca, mas eles simplesmente escafederam-se. No Twitter, alguém dispara: “Estão dizendo que os homens voltaram para Marte”. Ligo para minha amiga Mari e conto o absurdo. Ela diz: “Querida, da minha vida eles sumiram faz tempo! Um não manda nem SMS no dia seguinte, o outro tem vertigem ao ouvir o verbo namorar... Só encontro homem errado. Seria até bom. Assim, ninguém mais ficaria me perguntando por que ainda não casei!” Minha vizinha de mesa, a Carolina, desabafa: “Pelo menos me poupo da cena irritante: o bonitão do Marcelo assistindo pela quinta vez o filme Velozes e Furiosos no sofá da sala enquanto dou papinha para a bebê e corro para limpar a Guigui, que está saindo das fraldas. Afinal, para que servem os homens?” Me calo. Não sou a pessoa indicada para tentar salvar o casamento da Carol, ainda mais neste momento, em que ando in love com minha vida macho-free.
No barzinho, não preciso de mais de cinco segundos para ter um choque. Há mais taças de martíni por metro quadrado do que de chope. A garçonete anota o pedido. Picanha aperitivo? Não tem, senhora. Saiu do cardápio por falta de demanda. Vou ao toilette e não encontro a plaquinha de banheiro feminino. E não vejo a possibilidade de trocar olhares com um paquerador de plantão (nem o mais canalha). Isso é, no mínimo, estranho.

Carol, Mariana e eu brindamos ao mundo sem homens. E começamos uma rodada de prós e contras dessa hegemonia absoluta feminina. O futebol deixou de ser uma paixão nacional. Contra. Não tem mais programas de mesa-redonda na TV no fim do domingo. Pró. Não tem mais amigo gay nem nosso cabeleireiro preferido. Contra (e protesto: por que eles se foram também???). Acabou a ansiedade para encontrar a cara-metade. Pró. Acabou toda e qualquer possibilidade de encontrar a cara-metade. Contra. Não tem mais toalha molhada na cama. Pró. Não tem mais Gerard Butler, Clive Owen, Murilo Rosa. Cooontra. Não temos mais motivo para reclamar dos homens. Pró. Ou contra? A Lei Maria da Penha não faz mais sentido. Pró. Não dá mais para ter filhos. Contra. O clima pesou. Mudamos de assunto.

Tento curtir as delícias de um mundo com menos músculos e mais toques femininos. Um vaso de flor na oficina mecânica? Não consigo ver muita graça nisso. Deve ser a TPM. Aliás, sintonia de mulher: estamos todas na TPM lá no escritório, o que torna a convivência um inferno. Uma chora, outra se descabela. Que falta faz a piada do bonitão do financeiro para quebrar o clima! A Mari também tem saudades de colocar uma minissaia e arrancar olhares interessados em vez de invejosos. Carol sente falta dos beijos depois das brigas. Do “sim” ou “não” do Marcelo que colocavam um fim nos “talvez” dela. Sua filha, Guigui, quer saber onde está seu “prínxipe”. Ei, dá para voltar tudo como era antes? Não me entenda mal. Continuo feliz sem os vestígios de barba na pia. Mas, tenho de admitir, o mundo ficou mais sem graça sem os homens. Como arroz sem cebola. Ela faz chorar, mas dá um tempero delicioso. Pronto, falei. Tentei, mas não consegui ficar indiferente. Quero de volta o tempero masculino, mesmo que às vezes ele seja indigesto (como o do meu chefe). Uma roteirista amiga minha diz que uma boa história tem antagonista, tem conflito. Desencontros e encontros. E, mesmo que não acabe em final feliz, é garantia de muitas emoções.



  • Hoje, 15 de Julho é o vencimento da minha matrícula Dia do Homem {pelo menos no Brasil}. E o texto acima retrata o quão monótono ficaria as nossas vidas sem eles. Concordam?
  • Feliz Dia do Homem! Em especial, para o homem que faz minha vida ter muitas emoções... ;)

2 comentários:

  1. Muito interssante o texto! A vida sem homens seria complicada mesmo! hehe

    Feliz dia de vencimento da sua matrícula! (Ou seria dos Homens?!)

    Beijo

    ResponderExcluir
  2. Nem um mundo sem homens, nem um mundo sem mulheres. :))

    ResponderExcluir