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quinta-feira, 12 de abril de 2012

Os últimos quatro meses

Nesta semana o STF está votando a liberação - ou não - do aborto para casos de fetos sem cérebro (anencefalia). Por isso, muito tem sido discutido nas redes sociais sobre o caso e cada um que levante sua bandeira. Mesmo sendo cristã e prestes a ser mãe, não tenho opinião formada sobre o assunto. Sei simplesmente que li um relato emocionante sobre o nascimento e morte de um bebê anencéfalo que de tão tocante vai virar livro pelo menos foi o que entendi, segue trecho:


(...)
Ela veio de face. Agradeço ao Senhor também por isto. A bolsa rompeu só no final do expulsivo, que foi rápido, segundo eles. Para mim foi uma eternidade...

Fizeram tudo exatamente como no nosso plano de parto. Foi tudo exatamente como eu e Arthur sonhamos e pedimos ao Senhor durante a gestação. Quando a Esther saiu, Soraia a secou, colocou a touquinha e me entregou minha linda filhinha.

Ela estava viva!!! Espirrou algumas vezes e segurou meu dedo firmemente. Segurei o cordão, que pulsava a mais de 100 batimentos. Ela não estava bradicárdica e meu medo foi diminuindo.

Pedi para minha família entrar. Todos entraram, alguns sorrindo, alguns chorando. Falei que podiam fotografá-la, que ela estava viva.

Senti a placenta saindo. Hemmerson pediu para ficar só minha mãe e minha irmã.

“Arthur, quer cortar o cordão?” – alguém perguntou.  Segurei no cordão, que já não pulsava. E ela ainda estava apertando meu dedo, ainda estava ali.

“Pode cortar amor, já parou de pulsar”.

Arthur cortou. E ela se foi.

Ela se foi no mesmo momento em que ele cortou o cordão. O pior momento das nossas vidas.

Ela soltou meu dedo. E eu chorei alto. Era a pior dor que eu tinha sentido nas últimas horas.

Choramos todos naquela suíte de parto. Perdemos nossa filhinha, perdemos nossa Esther.

Foi tão rápido! Tão intenso! Tão maravilhoso!

Soraia colocou seu mini-estetoscópio no tórax da Esther e confirmou: “Ela não está mais viva, ela partiu”. Disse que foram 40 minutos de vida. Mas para mim foram 40 segundos. O que eu fiz naqueles 40 minutos, meu Deus? Onde eu estava?

Lembro que quando meus irmãos entraram na suíte eu levantei ela e mostrei todo o seu corpinho para eles e logo a coloquei em contato com minha pele novamente, para que não perdesse calor.

Lembro do Arthur chorando e a beijando.  Lembro dos sorrisos dele cada vez que ela espirrou. E de ouvir ele dizer várias vezes: “Ela é linda, meu bem! Ela é perfeita!”

Ficamos ali ainda algum tempo, em silêncio, curtindo cada parte do corpinho dela. Nossa família entrou novamente e oramos juntos, de mãos dadas, entregando a Esther ao Senhor.

"O SENHOR nos deu, e o SENHOR nos tomou: bendito seja o nome do SENHOR."-- Arthur susurrou o texto de Jó 1:21b em meus ouvidos.

Me lembrei do dia dois de abril, quando ficamos sabendo que nossa filhinha na verdade não era nossa. Que teríamos que devolvê-la ao Criador em breve. E que Ele nos falou claramente aquele texto enquanto olhávamos para a imagem na tela do ultrassom.

Agradeci ao Senhor por tudo. Por aquele parto maravilhoso. Pelo Hospital Mater Dei, pela suíte de parto, pela equipe humanizada que nos atendeu e nos respeitou, pelo Núcleo Bem Nascer...

Agradecemos, ainda, por cada um que ajudou a trasformar nosso pranto em alegria.

Para ler completo: AQUI
Seleção de fotos do dia do nascimento de Esther: AQUI

Um comentário:

  1. Que lindo e ao mesmo tempo triste. Optar é um direito garantido, mas a decisão...sinceramente, não gosto nem de pensar. Saúde às crianças, só o que podemos pedir a Deus.

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