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sexta-feira, 24 de maio de 2013

Sentimentos Simultâneos

Uma das coisas que a gente aprende ao longo da vida é que não dá para experimentar todas as emoções simultaneamente. “Tudo, aqui e agora” é um mote divertido, mas nem sempre ele se aplica. Estar apaixonado, por exemplo, me parece incompatível com o arrebatamento das relações clandestinas. Se você está vivendo um grande amor, se está tentando construir uma relação duradoura, talvez não seja boa ideia sair com aquela pessoa que tira o seu fôlego no elevador – ainda que seja apenas uma aventurazinha.

Não se trata, veja bem, de uma questão moral. Limites morais existem, mas estou falando de impossibilidades emocionais de ordem prática. A luxúria, frequentemente, conflita com a ternura. De um lado estão o carinho e a paciência (além do desejo, claro) necessários para fazer andar uma relação que a gente quer que avance. Do outro, estão o erotismo e o egoísmo das relações paralelas, que existem com a finalidade quase exclusiva de nos dar prazer instantâneo. Quando você sintoniza num desses canais, fica difícil captar o que se passa no outro. E vice-versa.

Acho que há um limite para a qualidade dos sentimentos que somos capazes de oferecer simultaneamente a outros seres humanos.

Lembro de um amigo que vivia há um ano com uma moça encantadora quando se meteu numa paixão impossível com uma mulher casada. Ele não foi pego e nem a mulher foi descoberta, mas a incandescência do caso esvaziou emocionalmente o relacionamento dele. Antes que ele percebesse, a mulher por quem ele era apaixonado tinha arrumado as malas e ido embora, daquele jeito que as mulheres fazem – de forma definitiva, e sem olhar para trás. Nem precisa dizer que desejo pela outra morreu na mesma semana. 

Fonte: Facebook / ( Ivan Martins )
(grifos meus)

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Há quem acredite que "fidelidade" é uma utopia. Bom, eu acredito no que exerço. E independente de quem esteja comigo, tento ser o melhor que posso ser.
Esse texto trouxe-me uma visão que ainda não tinha, quanto a qualidade dos sentimentos que oferecemos as pessoas que nos acompanham na vida. E volto a dizer: tento ser o melhor que posso ser. E é justamente isso que espero de quem esteja caminhando comigo.

Não acho utopia querer - e ter - alguém leal ao nosso lado. Pois se eu posso ser, por que não pode quem está comigo? Acho o mínimo.

Penso que quem 'deseja ter fortes emoções com relações "clandestinas"', deve estar preparado para sentir a enorme emoção de perder a relação familiar e/ou de companheirismo que andou construindo.

Em tempo, a canção Dia a Dia, Lado a Lado. Cheia de beleza e inspiração. Não sei, mas lembrei justamente dela ao escrever esse post.

Um comentário:

  1. Pra mim o segredo está no que disse: "tento ser o melhor que posso ser".

    O resto tem que ser construído e não dá para construir nada sem uma boa dose de 'utopia'. Quem quer emoções intensas não constrói quase nada.

    Ou assim penso eu.

    Beijo

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