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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Sugado

É incrível como parece que por mais que a gente - hipocritamente - diga que 'não!', algumas coisas acabam nos engolindo com o passar do tempo. Umas nos tomam de súbito, outras pouco a pouco. Mas hora ou outra acabamos submersos em um mundo no qual nem sabemos ao certo como chegamos...

É assim.
É assim com a rotina que com sua marotisse nos pega, nos envolve, nos toma e quando percebemos estamos funcionando no automático para a maioria das coisas; cá pra nós, não acho isso de todo ruim. Vejo a rotina como um auxiliar no hora que precisamos nos organizar, na segurança que ela nos traz, e - principalmente - a necessidade da sua existência quando se tem filhos.
É assim com os filhos também. Eles nos engolem. Nos sufocam. E nos metem em um mundo repleto de alegrias e - ao mesmo - tempo de inúmeros desejos simples não realizados. Pois é. Porque desejo de mãe, de pai, dessa gente que cria gente, independente de nomenclaturas, é quase sempre simples: umas horas a mais para dormir, ou dormir mais cedo, ou conseguir completar um texto, trabalho, a comida, ou a novela, sem interrupções, assistir um pouco de TV que não sejam os filmes da Peppa, do Mickey ou do Vale dos Dinossauros. E sabe do que mais? A gente fica lá, sufocado de tantos saltos fantásticos de crescimento, sem tempo, sem vontade e sem forças pra dedicar algo a nós mesmos, e no fim, ainda acha tudo fantástico. Porque criança tem esse poder, né? De tomar a gente de súbito, se colocar como centro do nosso mundo e ainda fazer a gente achar tudo isso lindo. Porque no fim das contas, é.

É assim com a cobrança da sociedade em sermos graduados, especializados, letrados, doutores, poliglotas e por ai vai. E a gente se sente tão pequenininho quando a nossa satisfação com aquele curso tecnológico de dois (DOIS!) anos, esbarra na cobrança do mercado, da sociedade, dos clientes, dos fornecedores, e do site que vende coisa da China.

Ah... como de repente a gente sente que nada que temos, que somos ou que nos tornamos foi escolha somente nossa. E que aquele babado todo de "você escolhe seu futuro" não funciona bem assim. Em muitos momentos, somos levados sim!! E quase sempre, somo sugados sem perceber. E ainda temos a falsa impressão que estamos perseguindo nossos sonhos, vivendo nossa vida por inteiro e que somos donos dos nossos próprios caminhos...

De repente percebemos que não! Não somos.

E por mais textos motivacionais, de reorganização da vida, da casa, da família, e de tudo mais que a gente possa ler, talvez nunca sejamos.

Para ser sincera, faz um tempo que ando achando que essa 'busca incessante' pela nossa missão na vida - só pra dizer que tem UMA - é muita teoria.

Confesso que acho demais que consegue dizer que tem uma missão da vida e consegue se motivar por isso. Porém, sinto muito, não achei 'uma só' para chamar de minha - acho mesmo é que tenho várias, tantas que no fim acho que tenho é nenhuma -.


2 comentários:

  1. Eita! To eu assim também, sendo levada sem saber pra onde...
    E sem vontade nenhuma de nadar contra a maré =(

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  2. Cada vez que venho aqui, só digo uma coisa. "Tão eu..."

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