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segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

G O R D A



Das lembranças que tenho da infância/adolescência não há nada referente a eu ter sido magra um dia. Ao contrário, fui sempre gordinha mesmo. Fui uma bebê gorda, criança, adolescente, sempre, gorda. Não cheguei a ser obesa, mas nunca permaneci no peso ideal.

Aos 17 anos descobri que eu tinha uma doença na tireoide, hipotiroidismo. Ele afeta diretamente o metabolismo tornando-o mais lento. Ou seja, se naquela época eu quisesse emagrecer o esforço deveria ser severo, ter foco nos treinos, seguir uma dieta, e lutar muito contra a tendência (e genética). Anos depois descobri que esse tal hipotiroidismo é causado pela Tireoidite de Hashimoto, que é uma doença auto imune, ou seja, viveria sob cuidados de remédios por toda vida.

Até aí tudo bem, continuei com o tratamento até hoje. Nesse tempo engravidei, amamentei, emagreci. E fiquei tão feliz de ter perdido mais do que os sete quilos que ganhei na gestação. Mesmo assim ainda não me sentia ideal, apesar de pela primeira vez na vida, estar no peso correto.
Contei o tempo para voltar aos exercícios, ao Pilates, a musculação. E voltei. E quando finalmente parecia que ia engrenar meu projeto 'fitness', engravidei novamente. A gravidez do 2º filho foi intensa e tensa. Exigiu muito da minha mente para que eu não surtasse. Não a toa que poucos dias depois do nascimento de Mallu, não suportei e fui internada.
Mas aí, eu não amamentei, quase não perdi nada dos 12 quilos que ganhei. Não demorou e eu tive chikungunya. Aumentei de peso drasticamente. Uns 10 quilos a mais do que tinha antes da gravidez. E se eu já não gostava muito do meu corpo como era, agora então... 

Até li sobre 'empoderamento'. Sobre como todas nós (mulheres) somos belas seja lá como seja o corpo que tem. Que devemos nos amar por ter saúde, etecetera e tal. Mas continuo INSATISFEITA. Quem sabe até um pouco triste. Continuo sem gostar de mim e das gordurinhas que conquistei. Ainda não consegui me convencer que poderei ser feliz assim, e provavelmente, nunca me convencerei. Não porque tenho um 'padrão de beleza' machista incutido em minha mente, e sim porque tenho esperanças de gostar do meu corpo dentro do 'padrão' que acredito que combina comigo.

Aliás, esse tal padrão não é nada muito inalcançável, no entanto também não é nada fácil, pelo menos pra mim, e para a realidade da qual sou refém hoje. Mesmo assim, como disse antes, ainda tenho esperanças; apesar de estar precisando mais de FOCO que de esperanças.

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