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quarta-feira, 22 de março de 2017

Mais um dia

Mais um dia. Escola. Chororô. Não quer ficar sem mim. Quase cinco anos e o apego exacerbado continua. Inclusive desconfio que antes era menos. Eu tenho que entender. É a chegada dá irmã, juntamente com a rotina difícil. 

Me culpo.

Vejo o quanto de peso estou depositando nos ombros das minhas crianças. Praticamente obrigando-os a encaixar-se nessa minha vida maluca. Numa viagem toda manhã. E noutra toda noite. Com escalas exaustivas.

Eles estão tão cansados quanto eu. E mal podem demonstrar. Ah meus pequenos valentes! Quanto enfrentam todos os dias. Quanto! Quanto?

E o quanto tudo isso vale a pena?!

Essa é a mistura de sentimentos, culpa e dúvidas de uma mãe que resolveu trazer seus filhos ao trabalho. Não é fácil, muito menos simples. Por hora, parece a melhor opção. Mas eu me pergunto todos os dias ao acordar: até quando?! 

Esse breve relato, escrevi na minha conta do Instagram (@rodriguesmarcela), numa postagem com a foto do meu filho mais velho. Tenho compartilhado textos maternos por lá, o que me tem feito certo bem.

Essa situação tem se repetido ao longo desses poucos meses desde o início do ano letivo. Meu filho continua na mesma escola, com os mesmo amiguinhos, com a mesma rotina. Tudo muito igual. Mas ele não está bem. Somo apegados. Mas não a esse ponto. Eu me pergunto o que tenho feito de tão diferente. No que não estou acertando, ou se há algo de errado (como bullying ou algo do tipo, que imagino que não, pois a escola dele é muito cuidadosa e tem um canal muito acessível de comunicação escola >>> família, e vice versa).

É quando paro pra refletir e percebo o quão cansados meus filhos estão. E se a rotina, distância e exigências estão dificeis para mim, imagina para eles! Eu me sinto péssima em perceber o quanto de peso tenho depositado sobre os frágeis - e ao mesmo tempo tão fortes - ombros deles.

Eu observo e percebo o quanto são guerreiros. O quanto estão lutando comigo para fazer funcionar a nossa vida, a nossa família, a nossa rotina. Como são fortes! E ao mesmo tempo, como estão frágeis e cansados. Afinal, quem não cansa?! Afinal, são crianças e precisam tanto de mim quanto preciso deles. Eu vejo a insistência do meu filho mais velho em ficar comigo como um pedido de "mamãe, precisamos desacelerar". E penso em tudo que posso fazer para atendê-lo.

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