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terça-feira, 9 de maio de 2017

Maternidade, não dá pra ser alegre o tempo inteiro

Art & Motherhood: Brooke Smart


Sabe, a maternidade trouxe pra mim o melhor e o pior da vida. Sinto a felicidade real de alcançar meu sonho supremo de ter uma família, de ter filhos - sendo primeiro um menino e depois uma menina, como eu sempre desejei -.
Ao mesmo tempo sinto minha mente adoecida, permeada por uma tristeza profunda misturada com uma angústia inexplicável.

Tenho a incerteza de 'se voltarei' a me encontrar em mim mesma, é a certeza que não sou a mesma e o medo que soa em minha mente. Eu já me perdi do que me dá prazer, pois mal posso pensar em mim. E quando penso, tudo ao redor faz com que sinta uma culpa tão grande e tão pesada que me sinto incapaz de aguentar.

Desde que fui mãe pela primeira vez, cinco anos atrás, estou lutando contra uma sensação muito louca de pesar imenso, de tristeza profunda e de certo desespero por não conseguir perceber que há vida além disso...

Meses atrás, uma mulher me disse ao me ver no shopping com meus filhos:
Como eles estão lindos!
Mas a gente só consegue VOLTAR a viver mesmo lá pra depois dos sete anos, deles.

Parece dramático e trágico, mas reflete bem a sensação que cresce em mim nas 'vezes' que a tristeza profunda e imensa me abate.

Vinte dias após o nascimento da minha segunda filha eu passei muito mal e fiquei internada por dias. Um pouco antes disso acontecer eu sentia que o baby blues estava bem mais forte do que eu poderia suportar, eu estava cansada, não só fisicamente, mas - principalmente - mentalmente. Mas sabe o que é pior? Não poder dividir isso com ninguém.

Na maternidade, se a gente fala: ah como estou cansada! Ouve de volta um: mas queria tanto ter filho, né?! Se a gente fala: eu só queria um tempo pra mim! Ouve de volta: Esqueça! Se a gente suspira: estou muito triste, muito mal! Ouve de volta: mas você tem tudo que qualquer mulher deseja. É uma a-ben-ço-a-da!

Ah, nossa! Como esse "abençoada" é tolhedor!

Nenhum dos seus medos são justificáveis. Nenhuma das suas angústias são compreendidas. E mesmo que você tente desabafar com alguém é consigo mesma que precisa encontrar sororidade. Pois, mediante a tantos sentimentos controversos, somos nós mesmas que começamos a repetir as frases de efeito da sociedade.

"É uma fase, vai passar". (Eu sei! Mas preciso de uma pausa AGORA!). "Passa tão rápido. Aproveite a infância dos seus filhos". (Concordo! Mas enquanto isso, esqueço de mim?). "Mas ele (a criança) não tem culpa". (Não mesmo. Sei disso. Não estou culpando ninguém!). "Mas você tem uma família linda; deveria estar feliz". (E estou. E sou. E sou muito grata. Mas isso não me exime de sentir angústia, as vezes).

Sabe o que parece? Que a maternidade trás consigo todas as resoluções dos problemas da vida de uma mulher. Quando, na verdade, ela nos torna ainda mais sensível a alegria e a tristeza. E isso não é de todo ruim.

É, somente, normal.

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