terça-feira, 29 de agosto de 2017

O CULTIVO



Envelheci. Mudei. Cresci.
No entanto, nada disso diz que não preciso mais ser cultivada.
Na verdade... Quanto mais amadureço, mais preciso de cuidado. De dedicação!
Quanto maior o tempo da relação, maior a necessidade de manutenção.
Ah! Quanta saudade do tempo do cultivo!!
Ah! Como faz falta de dedicação nas palavras, a despreocupação com o tempo gasto; o desejo, a profunda vontade, a necessidade de estar presente.
O cultivo não é mais o mesmo.
É compreensível!
A árvore plantada a tanto tempo, já brotou. Deu flores. Deu frutos.
Já passou por tantas estações...
Ela permanece estável, com toda sua imponência.
Mas o cultivo... a manutenção... o cuidado... aparentemente, desnecessários para uma frondosa e antiga árvore, perderam-se no caminho.
São, no entanto, tão necessários como no início.
São tão ansiados como na primeira estação.

Marcela R.
Ago/2017

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

A Ilusão da Vida Adulta





Quando eu era adolescente, minha maior vontade na vida era fazer 18 anos. Eu queria ficar adulta pra poder não precisar ir e vir da escola, dos cursos, e etc; para colher as assinaturas dos meus pais. (Eles nunca podiam ir a escola para me matricular, nem a escola da minha irmã, então, eu que tinha que resolver, buscava o contrato e levava para eles assinarem e depois voltava para poder validar a matrícula). Era um martírio.

Eu queria ser adulta. Mesmo assim, nunca tive pretensões de sair da casa dos meus pais para ir morar sozinha (eu sempre quis casar mesmo...). Mas, enfim, eu queria ‘ser grande’; queria poder resolver as coisas e assinar meus próprios contratos.

Hoje, tudo isso me parece muito simples, mas na época era muito cansativo e estressante. O fato é que, como todo mundo, eu cresci. Eu já assino meus próprios contratos a muito tempo. E se teve uma satisfação que a vida adulta me trouxe, foi essa. E durante alguns anos tentei cuidar da minha vida neste sentido. Não queria dar muito trabalho a todo mundo com essas picuinhas. Sempre me senti independente por conseguir – finalmente – resolver minhas coisas (e, muitas vezes, as dos outros).

Mas, desde que a maternidade chegou a tal da vida adulta começou a acontecer de V E R D A D E. As dúvidas e questionamentos. Os anseios frustrados. E toda a parte ‘RUIM’ dessa maturação passou a fazer maior sentido após o primeiro ano de casado e chegada da maternidade.  Vi-me tão dependente dos outros, que até dirigir (coisa que sempre amei) se tornou um tormento. A fase estava quase passando quando engravidei de novo e o que eu achava que não podia ficar pior, piorou. Mas todo mundo (que me lê aqui) já conhece minha história e percebe meus altos e baixos nos meus desabafos (constantes).

O fato é que, conversando com algumas pessoas (com uma idade próxima a minha, mas com realidades diferentes) percebi que esse pessimismo não é exclusividade desta minha mente depressiva. Percebi que tá quase todo mundo cansado mesmo! Cansado das frustrações da vida adulta e um pouco sem esperanças. Percebi que há um desejo profundo por menos obrigações, menos compromissos, por mais horas de sono e de ócio. Mas que, mesmo assim, nunca trabalhamos tanto, nunca estivemos tão ocupados, e nunca recebemos tantas informações.

Eu não preciso falar sobre o quanto a vida adulta tornou-se cansativa. Especialmente neste momento de crise. Pois até ter um momento de lazer ficou mais difícil. Não só pela escassez do dinheiro e os altos preços, mas também pela insegurança. Porque sair de casa está complicado. E desgastante (especialmente com crianças pequenas).

Começa então, a fazer sentido quando ouvia nossos pais, tios e até avós falarem a saudade da infância e juventude. Apesar de ainda não estar nesta fase saudosa (com todos os perrengues e crises de choro, ainda prefiro a vida adulta), passo a compreendê-la.

***

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

A Realidade Sobre Criar Filhos no Trabalho




Você vai perceber que o tempo que achava que iria criar ao trazer as crianças ao local de trabalho não vai surgir. Ao contrário, ele irá diminuir ainda mais. Horários ‘livres’, como pausas ou hora do almoço não mais existirão, pois esse é o tempo em que você se dedica a sua criança, seja dando banho, almoço ou simples atenção. 

A quantidade de tempo que você acha que iria passar com sua criança também não será suficiente para a sua satisfação. A gente imagina que vai conseguir acompanhar o crescimento deles, dar mais atenção, ser uma melhor profissional e mãe.  Mas mesmo estando perto, ainda vai perder muita coisa, pois você também está em seu ambiente de trabalho e precisa atender clientes, resolver pendências e se manter dentro dos prazos.

Vai perceber que o “sonho materno” de não perder seu lado profissional e o maternar ao mesmo tempo (e no mesmo lugar) é B A L E L A. ‘Conversa pra boi dormir’, como falamos por aqui. Vai perceber que sua mente vai precisar de ainda mais cuidados para não sucumbir. Vai adiantar muito pouco querer organizar seus horários, pois enquanto os bebês não estiverem em suas atividades, seja na escolinha, creche ou no ballet, você vai ter muito, muito, muito pouco tempo para se dedicar a seus projetos profissionais.

E então você vai se pegar em muitos momentos de intensa frustração e tristeza, pois sente que não pode se dedicar as duas coisas com qualidade. Muitas vezes, você vai precisar lidar com comentários que minam suas esperanças e te fazem querer desistir. Quantas vezes você vai desejar ficar em casa, sem poder; desejar mudar de emprego, que as crianças cresçam mais rápido, ou que não cresçam, você deseja sair do trabalho pra nunca mais voltar e se dedicar apenas a maternidade e ao lar?! Quantas vezes você vai acordar exausta e desanimada, tentando encontrar uma maneira de enfrentar menos problemas, menos trânsito e menos intransigência?! E mesmo assim, não vai encontrar respostas. Quantas e quantas vezes você vai buscar angustiosamente por alguém possa te inspirar, que você possa ter como exemplo, e não vai encontrar?!

Sabe, criar filhos não é trabalho fácil. Não tem um manual de instruções sobre como balancear a maternidade com a sua vida que fica além disso. Apesar de ter muita gente sensível, boa e cheia de histórias de superação que compartilham suas histórias com a gente, é tão difícil encontrar alguém que tenha a mesma história que você. Que entenda que suas queixas não são lamúrias de uma jovem arrependida com a maternidade. Confesso que procurei – e ainda estou buscando – e até agora não achei. Some isso a alguém que está tentando fazer o melhor que pode ao escolher trazer os filhos a empresa da família, mas que ao mesmo tempo se sente tão culpada por perceber o tanto de qualidade de vida para suas crianças e para si mesma, está sacrificando para continuar a trabalhar... Não. Não é o ‘sonho materno’ concretizado. É longe, muito longe disso.

Porém, também não é um pesadelo (apesar de alguns dias serem  b e m  difíceis ainda). Tento me manter grata, pois mediante ao estilo de vida que tenho, isto é o que me foi oportuno. Por isso, sigo na busca para ter equilíbrio com os meus filhos, com o trabalho e comigo mesma.

Creio que, de fato, é esta a busca de toda mãe.

E assim, seguimos.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Sobre os desabafos que toda mãe precisa fazer



Algumas vezes a maternidade se mostra muito dificultosa. Outras vezes, esse é o mínimo. A maternidade é o menor dos 'problemas'.

Sinceramente, não sei se existe alguma fórmula de levar a vida mais leve; juntando a maternidade, a sua vida como indivíduo, suas necessidades, o trabalho, e o restante. Sei apenas que devo estar fazendo da pior maneira possível. Pois tenho sempre a sensação de fracasso no fim do dia.
É o filho que está mais desobediente e faltando com respeito, algumas vezes. É a filha que tem a personalidade mais forte que a da mãe e do pai somadas, e resolve que - quando não é atendida - deve bater com a cabeça na parede mais próxima para chorar com ainda mais vontade.
É a empresa com projetos para ser implantados, mas que você não consegue sequer terminar de colocar no papel. É o treinamento que você precisa receber, para repassar ao restante da equipe. São os clientes, o motoboy, os funcionários e o quadro sendo reduzido e reduzido. É a crise. A dificuldade de vir morar mais perto.

É a maternidade, a tpm, o machismo, o feminismo, é o mi mi mi, os problemas do governo, a interrupção das crianças nas conversas com adultos, é a intromissão dos adultos na decisão dos outros adultos se é hora ou não de colocar a filha na escola, é o grito que você dá no filho mais velho, é a culpa e o arrependimento dois segundos depois.
E é isso... Isso não é nem a ponta do iceberg... E é tanto. Que... nossa... falta fôlego.

Um dia desses eu ouvi alguém muito próximo falar que MÃE não tem nada que reclamar da vida. Que NÃO PODE. Uma pena que essa pessoa, que também é mãe, tenha sido tão, mas tão, tolhida em sua vida que não se veja no direito de pelo menos sentir-se cansada e PODER falar: 'estou tão cansada'. E poder, ao menos, suspirar de vez em quando. Uma pena!

Mas foi nessa breve conversa que percebi o tanto de carga a gente carrega. E, é claro, que eu não vou vir aqui dizer que 'liberte-se. livre-se das cargas. e blá blá blá'. Porque eu sei bem que as coisas não são assim, tão simples. Lógico que, se você não tem filhos, ou melhor, se você NÃO TEM mais filhos pequenos algumas medidas são muito menos complicadas de implantar. Ter alguns minutos para meditar, poder ir a uma academia, correr de vez em quando (ou todo dia), ir ao salão de beleza, a manicure, ou assistir uma série no Netflix.
Qualquer desses 'mandamentos' para uma mãe de bebês será recebido com uma boa e consternada gargalhada. Pois, as vezes, nem tempo para chorar a gente tem.

Eu confesso, que escrevo essas palavras numa das minhas piores fases maternas. A fase dos questionamentos e de como a vida se tornou pesada. A fase em que não me encontro em mim mesma. E mesmo que queira encontrar minha individualidade perdida, não tenho tempo e paciência de encontrar. A fase em que a gente leva com a barriga a vida. Acorda no automático e pede a Deus que o fim de semana chegue logo. Pra quando chegar o fim de semana ficar frustrado porque não pode dormir mais um pouco, ou perder tempo com as redes sociais. A fase de que até as redes sociais estão um saco. E nem para isso você tem paciência mais. A fase em que você arruma a casa, o menu da semana, a ginástica e os projetos NA MENTE e vê cada um deles ir por água abaixo. A fase das emoções estratosféricas, catastróficas e exacerbadas. Todas elas. Paixão, alegria, tristeza e raiva.

Estou na fase em que eu gostaria de pensar na vida e nos rumos que eu gostaria de dar a ela. Mas aí, percebo que minha vida não é mais assim... tão minha. Tem muita gente envolvida para que eu decida ter um ano, mês, ou dia sabático. Não tem "vale night/day/travel/noitada com as amigas" que me tire da cabeça as preocupações, interrogações e pensamento dos meus filhos.

É aquela fase em que eu queria fugir... Ir para longe de todo tumulto... E - pra completar - levar as crianças junto. E, pra falar a verdade, tenho pensado muito em uma viagem com eles. Pra voltar as boas com a maternidade. Porque eu, sinceramente, penso que - assim como qualquer relacionamento de nossas vidas - chega uma hora que a gente precisa parar de reclamar e fazer dar certo (se é esta a vontade comum). Com a maternidade é só um pouco diferente porque, pelo menos para as mães, não é dado muita escolha... VOCÊ PRECISA FAZER DAR CERTO.

E, por mais voltas e reviravoltas que eu possa dar a este 'desabafo', o fim será sempre a busca - muitas vezes exaustiva - de fazer a maternidade dar certo. De fazê-la funcionar da melhor maneira para o estilo de vida que cada família leva. De dar leveza para a vida atribulada de cada mãe. De ter sensação (tão difícil de experimentar) de estar fazendo um bom trabalho.

E assim seguimos.

O melhor ano da minha vida

imagem: pixabay Caí na armadilha das Newsletters . Mal o ano começou e me vi cadastrada em pelo menos cinco " news " que cheg...