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quarta-feira, 23 de agosto de 2017

A Ilusão da Vida Adulta





Quando eu era adolescente, minha maior vontade na vida era fazer 18 anos. Eu queria ficar adulta pra poder não precisar ir e vir da escola, dos cursos, e etc; para colher as assinaturas dos meus pais. (Eles nunca podiam ir a escola para me matricular, nem a escola da minha irmã, então, eu que tinha que resolver, buscava o contrato e levava para eles assinarem e depois voltava para poder validar a matrícula). Era um martírio.

Eu queria ser adulta. Mesmo assim, nunca tive pretensões de sair da casa dos meus pais para ir morar sozinha (eu sempre quis casar mesmo...). Mas, enfim, eu queria ‘ser grande’; queria poder resolver as coisas e assinar meus próprios contratos.

Hoje, tudo isso me parece muito simples, mas na época era muito cansativo e estressante. O fato é que, como todo mundo, eu cresci. Eu já assino meus próprios contratos a muito tempo. E se teve uma satisfação que a vida adulta me trouxe, foi essa. E durante alguns anos tentei cuidar da minha vida neste sentido. Não queria dar muito trabalho a todo mundo com essas picuinhas. Sempre me senti independente por conseguir – finalmente – resolver minhas coisas (e, muitas vezes, as dos outros).

Mas, desde que a maternidade chegou a tal da vida adulta começou a acontecer de V E R D A D E. As dúvidas e questionamentos. Os anseios frustrados. E toda a parte ‘RUIM’ dessa maturação passou a fazer maior sentido após o primeiro ano de casado e chegada da maternidade.  Vi-me tão dependente dos outros, que até dirigir (coisa que sempre amei) se tornou um tormento. A fase estava quase passando quando engravidei de novo e o que eu achava que não podia ficar pior, piorou. Mas todo mundo (que me lê aqui) já conhece minha história e percebe meus altos e baixos nos meus desabafos (constantes).

O fato é que, conversando com algumas pessoas (com uma idade próxima a minha, mas com realidades diferentes) percebi que esse pessimismo não é exclusividade desta minha mente depressiva. Percebi que tá quase todo mundo cansado mesmo! Cansado das frustrações da vida adulta e um pouco sem esperanças. Percebi que há um desejo profundo por menos obrigações, menos compromissos, por mais horas de sono e de ócio. Mas que, mesmo assim, nunca trabalhamos tanto, nunca estivemos tão ocupados, e nunca recebemos tantas informações.

Eu não preciso falar sobre o quanto a vida adulta tornou-se cansativa. Especialmente neste momento de crise. Pois até ter um momento de lazer ficou mais difícil. Não só pela escassez do dinheiro e os altos preços, mas também pela insegurança. Porque sair de casa está complicado. E desgastante (especialmente com crianças pequenas).

Começa então, a fazer sentido quando ouvia nossos pais, tios e até avós falarem a saudade da infância e juventude. Apesar de ainda não estar nesta fase saudosa (com todos os perrengues e crises de choro, ainda prefiro a vida adulta), passo a compreendê-la.

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