quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Nenhuma mulher é apenas mãe

imagem: pixabay

Em tempos de influencers maternas eu me pego as voltas com um senso comum bem atual: você é o que posta. Uma mãe mais divertida, ou mais organizada, uma louca por faxina e outra por alimentação saudável, uma mãe leitora e outra atarefada. Para meio mundo de gente você é APENAS o que seus posts mostram.

Percebi, no entanto, que há uma realidade não mencionada. E ela, na verdade, é esquecida desde que o mundo é mundo. O fato é que Nenhuma Mulher é Só Mãe. Mesmo que queira, que deseje, que almeje. Nunca irá ser APENAS mãe. Influencer ou não. Blogueira ou não. Colunista ou não. Escritora ou não. Nenhuma mulher se resume a apenas um papel.

A mãe que publica fotos fofas dos seus filhos, que dá dicas de livros infantis e que te ensina a fazer um almocinho saudável é mais que aquilo que está nos storys.

Não nos deixemos levar pelo movimento frenético das redes sociais que nos deixa com olhares rasos e com a empatia engessada.

Vamos exercitar um olhar mais profundo e uma compreensão mais sensível. Ninguém é somente o que posta. Nem em tempos em que os blogs eram diários tão sinceros (e falo com propriedade de quem escreve em blog a quase 12 anos), nem hoje, nem no futuro.

Somos mais!

sábado, 19 de janeiro de 2019

O melhor ano da minha vida

imagem: pixabay

Caí na armadilha das Newsletters. Mal o ano começou e me vi cadastrada em pelo menos cinco "news" que chegavam diariamente no meu e-mail e que, consequentemente, me faziam sentir como se eu não estivesse fazendo nada certo para que 2019 fosse o melhor ano da minha vida. ¬¬" O fato é que já vivi muitos melhores anos da minha vida (não acho que tenhamos apenas "o ano melhor da vida", mas sim vários anos melhores da vida) e sei que eles não começam mergulhados em mensagens motivadoras lotando minha caixa de entrada. Eles começam sendo. Apenas existindo e acontecendo. Um tanto de atitudes dos melhores anos da minha vida dependem inteiramente de mim. Bom, boa parte delas dependem de mim. Mas nem tudo depende. O ano não depende só de mim. Também não depende dos outros, da crise, da lua ou do vento. Mas, sim, depende de uma série de fatores que juntos fazem o ano, ou melhor, o tempo ser o melhor. Afinal, com os melhores anos da minha vida aprendi que quanto mais eu me limito a contar o tempo em meses e anos, mais frustrante essa caminhada pode ser. O tempo é muito mais que um contar de dias, é toda a vida que você coloca neles. É a leveza com a qual você escolhe regar a esperança. Por isso, concluo, não se cadastre em mais que duas newsletter e escolha aquelas mensagens que goste muito para encher sua caixa de entrada. Seja leve. Viva feliz. O melhor ano das nossas vidas está acontecendo aqui e agora e todo ano.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Em defesa da rotina

Pixabay

Defendo a rotina.

Defendo, pois tê-la não tem a ver com mesmice.
Defendo, pois cuidar dela é cuidar de mim.
Defendo, pois é por causa dela que consigo fazer tudo o que desejo e o que preciso.
Defendo, pois foi cuidando dela que pude cuidar melhor da minha mente.

Para alguém ansioso como eu, ter a segurança da rotina é quase como um pré requisito para a manutenção da saúde mental.
Semana passada ensaiei escrever sobre rotina. Mas foi justamente ela que saiu do trilho. Senti como se TUDO estivesse fora de controle. Pra completar, passei os dias pré-eleições com muitas incertezas rondando meus pensamentos.

A angústia chegou e foi ficando.

Pensei em tentar algumas coisas pra me sentir melhor. Mas sabe... as vezes a gente precisa se permitir SENTIR. Se dar o tempo. E esperar passar.
Logo a semana virou e cá estou, ainda me reerguendo, mas certa de que a rotina está voltando ao seu lugar e tudo está melhorando.

Postado originalmente em @radiante.blog, em meados de Outubro de 2018.

sábado, 12 de janeiro de 2019

De bem comigo

acervo pessoal

Dia desses acordei de bem comigo. Ao me olhar no espelho enxerguei uma mulher potente. Cheia de imperfeições, claro. Mas transbordante de força, de brilho, de coragem e de amor. Eu me olhei e me enxerguei. Finalmente eu me vi.

Inteligente, dedicada e linda. Eu acordei e fiz as pazes comigo. Percebi que eu não sou só um corpo marcado pela idade, nem por duas gestações. Eu sou um corpo cheio de histórias. Sou uma mente que se reinventa todos os dias para sobreviver a ansiedade e que tem sido, constantemente, vencedora nessa batalha.

Eu sou. Sou mulher. Sou mãe. Sou esposa, amiga e amante. Sou potência, sou resistência. Sou carne, sou espírito, sou fé.

E você? Já se olhou no espelho hoje? Já se viu de verdade? E já fez as pazes consigo mesma/o?

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

A vida é um lugar melhor pois é lá que o amor está

autor desconhecido

ah! o amor!
quando chega
insiste
persiste
não desiste de lutar

o amor resiste.
e mesmo triste
não se dá limite
para continuar

o amor não é como a paixão
ele não é sorrateiro
nem cheio de ilusão

o amor é como o amor
é uma construção
é dia a dia
é força de vontade
é intenção

o amor nem sempre chega de repente
mas é como uma semente
que enraíza na gente
e nos faz frutificar

e não falo só de crianças
falo de esperança
de crença e de confiança
de que a vida é um lugar melhor
pois é lá onde o amor está


Marcela Rodrigues


Postado originalmente em @radiante.blog. Texto comemorativo pelo aniversário de 7 anos de casamento <3 p="">

sábado, 5 de janeiro de 2019

Nada que temos

É incrível como parece que por mais que a gente diga que 'não!', algumas coisas acabam nos engolindo com o passar do tempo. Umas nos tomam de súbito, outras pouco a pouco. Mas, hora ou outra acabamos submersos em um mundo no qual nem sabemos ao certo como chegamos... É assim.

É assim com a rotina que com sua marotice nos pega, nos envolve, nos toma e quando percebemos estamos funcionando no automático para a maioria das coisas; cá pra nós, não acho isso de todo ruim. Vejo a rotina como um auxiliar no hora que precisamos nos organizar, na segurança que ela nos traz, e - principalmente - a necessidade da sua existência quando se tem filhos.

É assim com os filhos também. Eles nos engolem. Nos sufocam. E nos metem em um mundo repleto de alegrias e, ao mesmo tempo, de inúmeros desejos simples não realizados. Pois é. Porque desejo de mãe, de pai, dessa gente que cria gente, independente de nomenclaturas, é quase sempre simples: umas horas a mais para dormir, ou dormir mais cedo, ou conseguir completar um texto, trabalho, a comida, ou a novela, sem interrupções, assistir um pouco de TV que não sejam os desenhos da Peppa, do Mickey ou do Vale dos Dinossauros.

E sabe do que mais? A gente fica lá, sufocado de tantos saltos fantásticos de crescimento, sem tempo, sem vontade e sem forças pra dedicar algo a nós mesmos, e no fim, ainda acha tudo fantástico. Porque criança tem esse poder, né? De tomar a gente de súbito, se colocar como centro do nosso mundo e ainda fazer a gente achar tudo isso lindo. Porque no fim das contas, é.

É assim com a cobrança da sociedade em sermos graduados, especializados, letrados, doutores, poliglotas e por ai vai. E a gente se sente tão pequenininho quando a nossa satisfação com aquele curso tecnológico de dois (DOIS!) anos, esbarra na cobrança do mercado, da sociedade, dos clientes, dos fornecedores e do site que vende coisa da China.

Ah... como de repente a gente sente que nada que temos, que somos ou que nos tornamos foi escolha somente nossa. E que aquele babado todo de "você escolhe seu futuro" não funciona bem assim. Em muitos momentos, somos levados sim!! E quase sempre, somo sugados sem perceber.

E ainda temos a falsa impressão que estamos perseguindo nossos sonhos, vivendo nossa vida por inteiro e que somos donos dos nossos próprios caminhos...
De repente percebemos que não! Não somos.
E por mais textos motivacionais, de reorganização da vida, da casa, da família, e de tudo mais que a gente possa ler, talvez nunca sejamos.

Para ser sincera, faz um tempo que ando achando que essa 'busca incessante' pela nossa missão na vida - só pra dizer que tem UMA - é pura teoria.

Confesso que acho demais quem consegue dizer que tem uma missão da vida e consegue se motivar por isso. Porém, sinto muito, não achei 'uma só' para chamar de minha.
Acho mesmo é que tenho várias, tantas que no fim acho que tenho é nenhuma.

Texto: Marcela Rodrigues

Texto postado originalmente em: 13 de fevereiro de 2015

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Dois mil e dezenove

reflito sobre o ano que se encerra e me encho de esperanças sobre o ano que vai chegar.

o calendário é só uma das formas de medir a vida. de fechar ou iniciar ciclos. e, talvez, de se limitar.

meu desejo é que não nos deixemos tolher. que nossos limites (porque eles existem e são necessários) sejam muito mais sobre auto conhecimento que sobre insegurança.

que a vida encontre na estrada o brilho do caminhar. e que o contentamento seja mais que um destino, mas uma forma de viver.

desejo muito mais que um ano lindo, mas um vida plena e radiante. cheia de paz.

grande abraço.
até já.
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Marcela Rodrigues | @radiante.blog

Nenhuma mulher é apenas mãe

imagem: pixabay Em tempos de influencers maternas eu me pego as voltas com um senso comum bem atual: você é o que posta. Uma mãe mais ...