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quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Eu tenho a oportunidade


Li um texto da Rafaela, que escreve no @a.maternidade, e senti um aperto no peito e um tapa na cara, por estar tão reclamona ultimamente. Veja bem, estou em um ano muito difícil. Estou em um mês muito, muito difícil. Acordando ainda mais cedo e com crianças que estão adoecendo constantemente, eu me vi em um poço de frustração gigantesco.

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Ela dizia: “ existe um único conselho que li por ai e que realmente faz a diferença. Preste atenção, ele não acaba com a frustração, nem mesmo te garante horas extras de sono. Mas alivia, tira o nosso foco do olho do furacão. Funciona assim, durante os dias difíceis, toda vez que você falar ou pensar ‘eu preciso’ substitua por ‘eu tenho a oportunidade’. Eu preciso cozinhar para meus filhos todo santo dia. Eu tenho a oportunidade de cozinhar para meus filhos todo santo dia. Eu preciso acalmar o meu bebe que chora inconsolavelmente todas as noites. Eu tenho a oportunidade de acalmar meu bebe que chora inconsolavelmente todas as noites”

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E assim por diante. Meu coração logo apertou e percebi que como estou equivocada em pensar (muito!) em o quanto nossa vida fosse melhor, se não fosse essa.

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Sabe, ‘eu tenho a oportunidade’ de trazer meus filhos ao trabalho todos os dias. ‘Eu tenho a oportunidade’ de cuidar deles praticamente 24 horas por dia e ainda estar na empresa. ‘Eu tenho a oportunidade’ de acompanhar o crescimento deles do meu jeito. ‘Eu tenho a oportunidade’ de trabalhar e de te-los por perto. ‘Eu tenho a oportunidade’ de ter a ajuda constante e atuante da minha mae, da minha irma e do meu marido. ‘Eu tenho a oportunidade' de criar meus #filhosnotrabalho! E ao invés de reclamar, eu tenho a oportunidade de agradecer. Amém!
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O texto completo da Rafaela esta em todas as suas redes sociais. Que indico muito @a.maternidade.

Texto postado originalmente em minha página do Instagram @rodriguesmarcela

Irmão

Minha mãe sempre me dizia que fui EU quem pedi minha irmã (@nanenanda) pra ela. Eu acreditei nessa história até Pietro fazer 2 anos e não ter sequer ideia do que era ter um irmão. Pedir, então... Nunca no Brasil! .
Concluí que talvez eu nunca tivesse pedido pra minha irmã vir ao mundo, ainda mais pq minha mãe fez tratamento pra engravidar, o que deve ter começado muito antes de eu completar 2 anos (nossa diferença de idade é de 2 anos e 7 meses).
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Mas eu entendo. Sabe por quê? Por que fui eu mesma que pedi pra meu marido um segundo filho. Fui eu mesma que sussurrei no ouvido dele: - eu quero outro filho seu!
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Sabe por quê? Porque a mãe (eu, nós) vai sentindo (com o tempo) a necessidade de fazer irmãos. É claro que, a depender da necessidade e das privações, a mãe vai ou não ceder a essa chantagem emocional do seu próprio instinto.
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Mas eu posso falar por mim (e talvez pela minha mãe também) que das melhores coisas da vida, fazer irmãos foi uma das minha mais gratas escolhas. Apesar das brigas, das birras, dos ciúmes, e de tudo mais. Apesar dos pesares todos. Ainda assim, foi a melhor escolha que fiz(emos).


Texto postado originalmente em minha página do Instagram @rodriguesmarcela

Um dia de férias

Confesso que, as vezes, eu dou UM dia de férias pra Pietro. Dia esse (que nao é no feriado) que lhe dou como um descanso da nossa rotina pesada. Penso sempre no quanto chego em casa EXAUSTA, muitas vezes, as crianças já chegam dormindo. E no dia seguinte ainda estão tão cansados... Penso sempre que MERECEM um descanso. Uma pausa. Uma folga.
Eu gostaria de descansar (se pudesse), então pq eles não podem?

No futuro as responsabilidades com os estudos vão se tornar maiores e até mais pesadas. Então, é este o tempo. O tempo de permitir que nossas crianças sejam exatamente isso: CRIANÇAS. Que possam ter uma folga em um dia de sol. E brincar de estourar balões cheios de água um no outro (com carinho, claro! 😊🤗). Possam aproveitar a infância. Criar boas memórias.

Eu confesso também que sou muito exigente (especialmente com Pietro que já está na escola), pois confio demais na sua inteligência e sensibilidade artística. Algumas vezes até passo dos limites. E acabo frustrando ele - e a mim mesma.

É por isso que os dias de folga dele são meus também. Um dia para não me preocupar se ele está cumprindo ou não suas "tarefas". Um dia pra cair na real de que são apenas crianças. Uma folga para minhas próprias cobranças. Um momento de arrependimento pelas exigências e de gratidão pela infância dos meus filhos. Por estar acompanhando de tão perto. Presente. O mais que possível. ❤

Texto postado originalmente em minha página do Instagram @rodriguesmarcela

Sobre buscar ajuda

Sabe, a maternidade é intensa em todos os sentidos. Não importa se você planejou por anos pelo seu primeiro, segundo, ou terceiro filho; ou se foi pego de surpresa ao perceber que "algumas coisas" estão atrasadas e diferentes. Seja lá como for, planejada ou não, maternidade é sempre como se alguém tomasse a força as rédeas das nossas vidas nas mãos. É como se tudo que você conhecesse como sensações e sentimentos fosse colocado por terra. É como se todos os clichês fizessem sentido, mas com ainda mais força.
Algumas vezes a mistura, intensidade e insanidade dos sentimentos que nos invadem é tanta que desenvolvemos alguns problemas da mente. Não é mais incomum ouvir comentar sobre depressão pós parto, síndrome do Pânico, de Born Out, de Ansiedade e por aí vai... As mudanças são muito rápidas. É tudo muito intenso. E de uma hora pra outra você percebe que tem algo errado. Que a tal da felicidade não chegou, que a frustração lhe impede de ver o quanto de importancia e significado há em gerar, criar e viver com uma criança.
É por isso que, SE POSSÍVEL, procure ajuda. Sabe, as vezes é difícil des-estigmatizar o Psicólogo, o Psiquiatra; mas é só ter um pouco mais de informação para entender que eles fazem muita diferença. As vezes (e eu sei bem disso) é difícil de conseguir atendimento, seja pelo SUS, seja pelos planos de saúde. Mas eu vou deixar uma dica: as faculdades Esuda e Uninassau (Derby), tem clínicas e atendimentos de urgência, alguns totalmente gratuitos e pra quem precisa de acompanhamento maior, cobra-se uma pequena taxa. Basta se informar para saber os horários.
A maternidade é cheia de alegrias. Mas também há desespero. Como em todas as grandes mudanças da nossa vida. Ninguém deveria se sentir culpado por procurar ajuda, ou por achar que precisa de ajuda. 

Texto postado originalmente em minha página do Instagram @rodriguesmarcela